sábado, 9 de janeiro de 2016

Técnico X Tecnólogo em Radiologia

Quando me apaixonei pela radiologia nem se falava muito nessa área. Agora, de repente ouve um boom de radiologia estranho... Parece que do nada as pessoas perceberam que essa profissão é legal pra caramba, ou pelo menos é o que eu pensava, que foi do nada... acompanhe meu raciocínio.

Com vários problemas de família, eu me encontrava até um pouco atrasado nos estudos a alguns anos e, sabia que precisava dar a volta por cima. Me apaixonei por ressonância e vi que estava ao meu alcance trabalhar com ela. Trilhei esse caminho deixando-a pro final, para aprende-la com calma, dando a ela toda atenção do mundo.
Recuperei-me nos estudos e chegou a hora de entrar no curso. Mas eu passei por tantas dificuldades que sabendo que radiologia tinha técnico e tecnólogo, resolvi fazer o vestibular só pra ver o que eu teria de encarar daqui a alguns anos quando terminasse o curso técnico. Eu destruí no vestibular. Fiquei tão feliz que coloquei técnico e tecnólogo na balança. Meu pensamento então foi:

- Bom, já estou um pouco atrasado, recuperaria meu tempo perdido se eu fosse direto ao tecnólogo, mas em contrapartida, se eu fizer o técnico terei facilidade nas matérias da faculdade... continuei pesando. O valor não é tãaaao diferente assim e nem o tempo. Quando estudo algo, gosto de ser intenso e não estudar uma ou duas vezes por semana como é na maioria dos cursos técnicos que vi. Na faculdade estudaria todo dia e matérias avançadas, abrangendo toda a profissão e tendo uma noção muito maior da área do que somente saber fazer "Rau xix"e saber sobre outras coisas meio de lambuja.

Mas também vi que a profissão de tecnólogo é mal falada pelos técnicos por não ser regulamentada.

Pesquisei isso e vi que REGULAMENTADA, não é o mesmo que REGULARIZADA. A profissão é regularizada, só o que não havia é uma regulamentação diferenciando legalmente o técnico do tecnólogo. Com isso, claro, o técnico muitas vezes tem é medo do tecnólogo, "o mau técnico, claro". Eu sabia todos os prós e contras disso e com essa ciência optei pelo tecnólogo. Nunca tive medo de nada na vida, não seria agora que eu teria medo de lutar pelo meu lugar ao sol!!!

Meu padrasto é um técnico antigo e, conhecido XERIFE de um famoso hospital público no Rio de Janeiro. Fui algumas vezes observar o trabalho dele fingindo que levava algo para ele e etc. Até então ninguém sabia das minhas intenções com a área e nem que já estava encaminhado nela.

Ele é um bom trabalhador no sentido de que nunca faltou, se atrasou e trabalha até mais do que somente os horários que cabem a ele. Por outro lado, é grosso com os pacientes e gosta mesmo dessa sensação de poder. Briga com médicos e não faz exames complementares mesmo que não esteja fazendo nada, e a legenda que aquilo é um hospital de emergência. E nisso vi até fazer um R-x de um pé com o paciente usando coturno. Ele disse que era para ensinar o médico a trabalhar pois este nem havia tirado o coturno para examinar o paciente. 

Ele adorava humilhar médicos e pacientes. Um verdadeiro fanfarrão e é um “técnico-médico” ainda por cima. De tão fanfarrão, contador de vantagens, no boteco que ele enche a cara, várias pessoas procuram por ele para ele REAVALIAR OS PEDIDOS MÉDICOS, e não é pedido médico de radiologia não... ele diz pra todos que o procuram se o médico receitou certo, errado, se o médico é maluco e se for, ele mesmo receita algo pra pessoa que sai satisfeita com o que ele diz e joga até a receita da consulta médica fora. EU JÁ VI ISSO, NINGUÉM ME CONTOU NÃO. ALIÁS, VI POR MAIS QUASE 15 ANOS.

Comecei a estudar. Estagiei em um hospital de trauma, depois em uma clinica radiológica dentro de um hospital e depois em um grande hospital. Eu me esforcei, me inteirei muito da área e estava feliz e satisfeito que havia encontrado meu lugar.

Nessa altura, notei que meu padrasto já nutria medo de conversar comigo, pois ele não sabia nada do que eu falava... ele simplesmente dizia que eu deveria fazer medicina. Dizia também somente que eu me “decepcionaria”, pois na verdade nada do que eu estudava seria usado!!! Eu simplesmente ignorava, e hoje vejo que realmente fui bem treinado na teoria de sala de aula e sentia que aquela deveria ser a verdadeira formação, a formação técnica!

Se fosse assim, não haveriam profissionais fanfarrões como ele e tantos outros... Isso por que ele era o melhorzinho do hospital, por que o resto era uma merda literalmente, por isso ele é o xerife e tem moral e respaldo dos chefes.

Durante a faculdade conheci grandes técnicos se especializando. É importante destacar 3 embora protegerei seus nomes e seus respectivos serviços aqui.

Um deles um senhor de idade que ocultou no início do curso inutilmente que era técnico “queria usar isso como um trunfo besta”, outro um cara inteligentíssimo jovem, super na dele que trabalhava em grandes hospitais e clínicas. O terceiro, um militar da marinha e renomado técnico do hospital naval.

O primeiro era conhecidíssimo na área, está sempre nos congressos sendo homenageado e trabalha em um hospital público conhecido no Rio por ser onde a Abreugrafia nasceu. Ele mesmo organiza um congresso neste hospital anualmente próximo do dia do radiologista. Esse técnico, um grande amigo meu, uma criatura da qual gosto muito, achando que já sabia muito da área, faltava e dormia na sala de aula... e era muito engraçado... Ele até sabe mesmo e é um grande profissional, não da pra negar, mas esse amigo, ficou cumprindo inúmeras matérias quando todos terminaram a faculdade, principalmente as mais óbvias e as que ele julgava saber mais, "como anatomia", por que na hora da prova, ele na verdade não conseguia acompanhar o nível das mesmas somente com seu conhecimento técnico e experiência de longos anos.

O segundo amigo, o técnico jovem, no meio do curso comentou comigo:
- Eu sou um pesquisador... E achava que sabia muita coisa de radiologia, mas estou impressionado com o universo de coisas que eu não sabia. O curso está sendo ótimo.

O terceiro amigo, o militar. Dizia que queria mesmo a especialização por que se interessa em saber cada vez mais. Ele reclamava que uma menina  que ele deu estagio tinha vindo da faculdade e não sabia nem os nomes das suturas cranianas... Eu assustado com isso, quando as aulas de anatomia começaram colei nos conselhos dele e estudava sempre além da aula. Na primeira prova eu me enrolei e vi que não dava pra dar um passo maior do que a perna. Passei a seguir a aula e tudo correu bem. Observei que tem gente que ESTUDA PRA PASSAR. Passou, foda-se, já não sabe mais... então, existem pessoas e pessoas e eu não seria como essas debilóides.

Também a essa altura já havia notado que existem técnicos que realmente sabem muito, muito mesmo, como esses que citei. E tecnólogos que não sabem merda nenhuma como essa formanda que meu amigo citou. Mas é como eu disse, isso é DA PESSOA. É fato comprovado que a formação do tecnólogo nem se compara com a do técnico E EU POSSO DIZER ISSO MELHOR DO QUE NINGUÉM POIS HOJE SOU PROFESSOR DE ESCOLA TÉCNICA!

Esse amigo, contava inúmeras histórias de que no hospital, técnicos que eram contra ESTUDAR tecnólogo o questionavam por que ele estava fazendo aquilo e que ele deveria sair, que não tinha nada de novo, que ele era bom e não precisava dessa porcaria, que NÃO É NÍVEL SUPERIOR DE VERDADE... “palavras de quem está por fora literalmente”... ele respondia curta e grossamente que estudava por que gostava, e principalmente por que não queria ser um profissional igual a quem perguntou isso!

Quando a faculdade terminou, meu segundo amigo citado, o jovem inteligente, permitindo que a soberba lhe tomasse, comentou comigo:
- hum, se eu soubesse que era só isso não teria feito o curso!
Aí fui obrigado a refrescar a memória dele sobre o que ele disse antes, ele instantaneamente se lembrou e, vi no olhar dele o que se lia como:
- hii, me gabei pro cara errado!

Falei pra ele que naquele momento ele estava sendo como um dos técnicos fanfarrões que tanto sujam o bom nome da radiologia.

Percebia claramente que as pessoas que se formavam no tecnólogo, técnicos ou não, estudantes de merda ou não, tinham uma coisa muito importante em comum. Uma mentalidade completamente diferente da mentalidade dos antigos técnicos e uma vontade forte de trabalhar e fazer direito! Percebia alí que o tal BOOM de radiologia também se deve ao fato de que muitos jovens ao terminar os estudos pesquisam boas áreas para trabalhar e durante alguns anos bateram seus olhos em um novo curso universitário... Depois de um certo tempo, o  interesse cresceu. Cresceu COM A FACULDADE. Minha mente sempre catando conspirações então pensou:

- Será que esse curso já não foi implementado nesse sentido? Hoje é uma guerra imbecil entre técnicos e tecnólogos, mas no futuro, um futuro bem próximo os tecnólogos podem estar em maior número, tornando o técnico um profissional mais escasso. O que é bom pro país por se igualar com as outras nações e logicamente MUDAR A CARA DO PROFISSIONAL QUE ESTÁ NO MERCADO, o qual os médicos hoje chamam de “MAL NECESSÁRIO”.

Digo isso por que é um curso bastante procurado, e já esteve no topo da lista sendo o mais procurado curso tecnólogo, hoje perde para Petróleo e Gás... Mas as faculdades, por toda parte estão abrindo esse curso, os cursos técnicos também estão ficando melhores... Mas gradativamente, o número de tecnólogos vem crescendo.

Gente, que fique bem claro. Não tenho nada contra os técnicos antigos, pelo contrário, eles eram excelentes, eu nem uso tanto Bontrager, mas sim o Boisson antigo e ainda luto para conseguir um livro do Jorge Nascimento!

Mas quando a Radiologia começou no Brasil não havia curso pra isso, sabemos disso. Os médicos pegavam qualquer um mais espertinho pra ensinar alguns lances e ficar para eles no setor fazendo exames feito macaco treinado. Esses se tornaram os primeiros técnicos em radiologia. Como esses caras eram na maioria faxineiros, ou pessoas nessa faixa, quando se viram de repente em uma profissão legal pra caramba, lutaram por ela. Quando o curso técnico começou no Brasil esses profissionais se uniram pra caramba. Agora eles eram profissionais legais, verdadeiramente reconhecidos em conselho regional e tudo. Porém, não raros os que deixaram subir a cabeça e se tornaram a imagem e semelhança do meu padrasto... Que pena!

Em todos os países do mundo, exceto, Brasil, Portugal e não me recordo qual é o outro, ainda existem técnicos em radiologia. Mas todos os três estão tentando se igualar aos outros. Estou falando não na extinção dos técnicos, mas na EVOLUÇÃO deles. E isso leva ao que eu quero contar. A VERDADE ABSOLUTA SOBRE TÉCNICOS E TECNÓLOGOS.

Durante toda a faculdade uma pergunta me ocorria:
POR QUE DIABOS NÃO REGULAMENTAM A PROFISSÃO DE TECNÓLOGO?
Ouvi muitas versões para explicar essa pergunta e elas sempre terminavam sem explicar exatamente a questão e poderia resumi-las agora como simplesmente: - É muita política para mudar isso, e interfere na vida de muita gente e etc.

E claro, eu via e ouvia toda a guerra dos técnicos CONTRA os tecnólogos, alguns apenas SE DEFENDIAM DE TECNÓLOGOS, e etc etc etc.

Fui mal tratado nos estágios e até ameaçado e coagido a não fazer provas de concurso.

Uma vez fui coagido pelo meu próprio chefe e mais dois técnicos no refeitório do hospital... era tudo um absurdo, precisava tanto? Eles não queriam que eu fizesse uma prova de concurso público que ia ter. Por fim meu chefe "que aliás era um técnico que estudava na mesma faculdade que eu, embora em turma mais nova" indagou com ferocidade QUEM ME DARIA CARTEIRA PROFISSIONAL? foi ridículo, por que eu ainda tive de fingir que não sabia que ele era tecnólogo, e respondi apenas:

- O seu próprio Conselho Regional de Técnicos... porém com o nome de TECNÓLOGO! Ele disse que queria ver, que nunca tinha visto isso. os outros dois continuaram me atacando e eu achei surreal não só o ataque quanto a farsa, como se estivesse com medo de DECAIR sendo técnico e tecnólogo.

Nas semanas que se seguiram fui perseguido por um dos dois que estavam na mesa. Ele era um grande técnico, excelente mesmo, muito inteligente e metódico, o tipo de cara a qual você se espelharia com orgulho se ele não fosse nojento! Um dia fui fora do meu plantão de estágio ao hospital, acho que fui levar um documento... Fui no R-x dar um alô para todos e lá estava ele. E estava sozinho no setor com somente mais um técnico... E o hospital é muito grande. Mas estava um dia tranquilo e o outro técnico tinha levado a sobrinha para o trabalho, para ver a profissão, pois estava se formando técnica. Ela não era estagiária oficial do hospital, só estava lá aquele dia, observando. Os dois logo estavam explicando para ela todos os exames que estavam fazendo com calma até que eu apareci e a perseguição do amigo veio com tudo.

Ele começou a tentar me "humilhar" me chamando melosa, demorada e nojentamente de Tecnólogo, fazendo gesto com as mãos ao pegar em um K7 digital como quem toca em algo nojento. a menina apenas ria sem graça. Para demonstrar que maaanda muito, ao terminar o exame começou a jogar tudo em cima de mim para revelar para ele sempre me chamando melosamente de tecnoooologooo.

Fiquei sozinho na revelação com a menina e pra ser diferente dele, sentindo que ela ia me perguntar como eu o aguento, comecei a falar bem do amigo, e que ele é muito bom... Ela continuou com aquilo entalado na garganta e eu disse que ela deveria saber sempre o que faz, pois seria assim na profissão, sempre teria gente tentando ser mais. Ele entrou na sala e despejou mais exames, e tentando mostrar o quanto é inteligente, e quanto eu não sei nada, levantou um k7 e começou a narrar um só folego, ao pior estilo Ace Ventura, tooodo o processo de revelação de imagem.

A menina estava já fazendo cara de quem diz: "-caramba, quanta coisa eu ainda não sei, nunca vou conseguir, esses caras são gênios, jamais vou conseguir!".

E eu interferi, com calma, e disse:

- Bom... mas você sabe que esta tudo errado não é? e ele já com cara de triunfo e a menina com cara de desespero, eu, na maior tranquilidade falei antes que ele abrisse a boca:

- Você sabe que isso não é um chassi, você pode rebobinar agora e narrar para nós, todo o processo de processamento e revelação da imagem digital, téeeeecnico?

Ele simplesmente largou o k7, abaixou a cabeça e saiu da sala andando rápido, fingindo ter esquecido algo. Naquele momento ele parou de me encher e perseguir. Ao contrário, passou a me tratar bem, e elogiar. outras coisas assim aconteceram em que venci com humildade, sempre as pessoas se enforcando com a própria língua! APRENDI O QUANTO É IMPORTANTE SABER SE DEFENDER TAMBÉM. TANTO DE COLEGAS QUANTO DE PACIENTES.  

No primeiro hospital que estagiei, cheguei com humildade, pedi o estágio e o chefão do setor falou para o técnico do dia em que eu iria estagiar que era pra cuidar bem de mim, que eu era um rapaz muito educado e merecia atenção pois estava realmente afim de aprender. Fui realmente muito bem tratado pelo tal técnico. Levei para o hospital toda documentação de pedido de estágio da faculdade e eles assinaram tudo direitinho, fiz até seguro de vida e etc para estagiar. Na hora de me darem as horas de estágio, preencheram meu estágio como TÉCNICO.  A faculdade disse que não poderia mais aceitar aquele tipo de documento por pressão do próprio MEC. 

Aliás, muito falam sobre o curso universitário, mas minha amizade com o coordenador do meu curso me mostrou claramente o quanto o curso anda juntinho com o MEC, o MEC até é exigente com o curso e ele sempre está sendo atualizado. Fui até mesmo aluno da primeira turma de tecnólogo no RJ que teve a matéria de Ultrassonografia, dada por uma médica gente fina que reproduziu para nós a mesma aula que dava para médicos e ainda levou os interessados para o hospital com ela, e a matéria foi EXIGIDA no curso pelo MEC. E dizia meu coordenador que em São Paulo já existem tecnólogos se especializando em ultrassom, e os médicos já estão abrindo as pernas vendo que não dá pra lutar contra!!

Mas voltando ao meu estágio, a secretária do chefão, que é técnica dizia que não ia fazer o documento pra mim... Eu lutando com humildade para não fechar portas, não brigava, só lembrei a ela que eles haviam assinado pedido em papel timbrado da faculdade... Que eles não poderiam decidir assim o que escrever no documento. A resposta foi absurda, burra mesmo:

- NÃO CONFERIMOS TÍTULOS A NINGUÉM. PARA NÓS VOCÊ É TÉCNICO E POR LEI NÃO EXISTE DIFERENÇA ENTRE NÓS, A FACULDADE TERÁ DE ACEITAR ESSE DOCUMENTO E TE RECONHECER COMO TÉCNICO OU VOCÊ NÃO TERÁ HORAS DE ESTÁGIO CONOSCO.

Eu disse que não, que eu lutei, me esforcei e queria ser reconhecido. A briga perdurou, eu nem precisava das horas de lá. No último hospital estagiei por mais de um ano, no segundo por muito mais tempo do que no primeiro que foi esse que deu problema, mas eu queria que meu esforço e dedicação não fossem em vão e a briga foi parar nos ouvidos do Geraldo, presidente do nosso conselho regional da “4ªregião (RJ)”.

Fiquei sabendo que foi até em tom de esporro que este obrigou o hospital a assinar meus papéis de estágio como tecnólogo, não só por que eu poderia legalmente já ter ferrado o hospital se eu assim quisesse, mas também por que em primeiro lugar hospital nenhum CONFERE TÍTULOS A NINGUÉM, QUE ISSO ERA UMA COISA TOTALMENTE SEM NOÇÃO, QUE SÓ PODERIA SER DITA POR TÉCNICO AFIM DE CONFUSÃO E PRECONCEITO. ONDE JÁ SE VIU... ENTÃO UM MÉDICO SE FORMA MÉDICO, MAS O TÍTULO DELE FOI CONFERIDO PELO HOSPITAL QUE ELE FOI TRABALHAR? DESDE QUANDO EMPRESA CONFERE TÍTULOS?! UM VETERINÁRIO SÓ É VETERINÁRIO DEPOIS DE EMPREGADO EM UMA CLÍNICA?!

E por aí vai... "não estou dizendo que foi dito isso pelo nosso presidente, mas que foi assim que as pessoas que ouviram a bronca entenderam, e acabaram pra minha vitória pessoal deixando escapar a história pra mim".

Enfiaram o rabo entre as pernas e fizeram meu papel, mas com raiva de mim, disseram que fui o último tecnólogo a passar por lá. Ainda fui mal tratado pela tal mulher e alguns estagiários técnicos que estavam no lugar que não perderam a chance de se meter no assunto e dizer que estavam certos de que eu não me diferenciava deles, que aquilo era um absurdo e não existe tecnólogo!
Saí de la vitorioso e com raiva pela humilhação da qual sabia que não ia escapar “por que não foi só isso que ouvi né, foi bem pior!”.

Com isso também vi que jovens técnicos que hoje estão em processo de formação, estão pegando vícios de maus técnicos, se deixando levar por pensamentos de contra-informação, ajudando a difundir o preconceito, limitando seus horizontes e agindo como os maus técnicos. Não quero nem pensar no que essa mentalidade, tão contrária a dos profissionais que vi na faculdade pode acarretar no futuro... Minha impressão sobre aqueles profissionais alí foi clara:

- É o tipo de pessoa que vai tentar crescer na profissão tentando derrubar colegas. Covarde, Maria vai com as outras, pessoas sem opinião que só fazem repetir o que ouvem... Agora, se você é o chefe em um setor de radiologia, quem você mantém no serviço ao seu lado independente de ser técnico ou tecnólogo: Um profissional esforçado em aprender sempre mais e com vontade de trabalhar direito e ser reconhecido ou um profissional que é até muito bom, muito bom mesmo, mas perturba e causa discórdia e falação no setor com fanfarronices?

Minha pergunta inicial, “POR QUE DIABOS NÃO REGULAMENTAM A PROFISSÃO DE TECNÓLOGO?” foi respondida pela pessoa mais importante de todas e a qual eu por algum motivo louco eu jamais perguntaria. GERALDO, NOSSO PRESIDENTE DE CONSELHO mais uma vez.

Mas antes de chegar nesse dia tenho que lembrar de outro acontecimento para vocês.
Mencionei meu primeiro amigo, o senhor que organiza congressos em seu hospital no dia do radiologista. Pois bem.

Em um de seus congressos que participei, me sentei bem na frente e nas cadeiras logo atrás de mim tinham algumas senhoras técnicas reclamando e atacando tecnólogos... Dizendo deliberadamente que somos desnecessários, que o curso é uma besteira, ruim e que jamais fariam... uma afirmando a outra, e em volta dela todos concordando. Várias palestras que foram aplaudidas de pé e solicitadas unanimemente e serem repetidas outros anos estavam sendo ministradas por colegas da minha classe e que se identificaram como estudantes e um deles, que falou da área industrial falou que era estudante de tecnólogo e que havia trabalhado em plataforma petrolífera... Desse não reclamaram nada. Será que pra falar de áreas a qual o técnico nem tem ideia, mas tem curiosidade o tecnólogo serve para alguma coisa?

Mas reclamaram do meu colega, o anfitrião do evento que resolveu tentar mudar a mentalidade que estava observando na plateia hostilizando os tecnólogos. Tentou falar o quanto é uma honra para nossa profissão ser tão reconhecida que agora temos o nível superior, e que é superior SIM, e o quanto ele viu que não sabia tanto assim sobre a área... Muitos torceram o nariz para ele.

Uma dessas mulheres falou o que já ouvi muito por aí... Que então, se terá tecnólogo, ela quer ser reconhecida como nível superior por tempo de trabalho. Ele perguntou se ela sabia algo sobre dosimetria, física das radiações ou algo assim como quem vai fazer uma pergunta seguinte, e foi bem suave deixando-a a vontade. Ela respondeu que não, e ele perguntou como poderia ela querer ser reconhecida como superior sem ser? Não era um absurdo!?
Ela não teve respostas, mas não gostou nada. E ficou na dela dizendo que não dará estágio a tecnólogos. Pensei: “já vi esse filme”.

Esse congresso foi aberto pelo presidente Geraldo e seguido de uma palestra do próprio advogado do CRTR-RJ que NA FRENTE DO  PRÓPRIO GERALDO, palestrou sobre o fato de que as leis EXTINGUIAM E ELIMINAVAM SIM, A PROFISSÃO DE TÉCNICO E AUXILIAR TÉCNICO, E QUE NÃO DEVERÍAMOS NOS ENGANAR PELO QUE LEMOS NO JORNALZINHO “RADIAÇÃO” E SIM PROCURAR VER O QUE A LEI FALA. Terminado essa palestra ofensiva, ele saiu do palco, foi até o Geraldo, os dois caminharam para fora do salão e não retornaram mais... nem no dia seguinte. Foi estranho, muito estranho.

Mas minha pergunta como disse, fora respondida pelo presidente Geraldo e foi em palestra também, mas não nesse dia, e sim no dia da entrega da carteira profissional, na palestra de AMBIENTAÇÃO PROFISSIONAL, no esperado dia em que me tornei finalmente membro da radiologia, mas isso, quero contar em detalhes em outro post.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Incidências Radiológicas Com Nomes Próprios, Posicionamentos e Manobras

Entre estudos e estágio, eu me confundia muito com a literatura atual e o linguajar dos antigos técnicos que também usavam muitas vezes um linguajar antigo, na intenção de induzir o pensamento no estagiario que os novos não sabiam de nada!

Com isso, juntei as literaturas radiológicas antigas, nacionais e as atuais de mercado, e fiz esse estudo que agora divido com todos aqui na Internet.

Espero que tenha tanta utilidade para vocês como teve para mim.
1. Abel “teste de Abel”    
Técnica em que o paciente faz uma hiperlateralização direita e esquerda do tronco, corresponde a um AP de coluna tóraco-lombar para escoliose.

2. Arcelin = “Stenvers Invertido”      
Perfil anterior de mastóides, incidência obliqua axial lateral.

3. Bellot   
Projeção obliqua da mandíbula.

4. Boyden-Browner “prova de Boyden-Browner”     
É uma prova de gordura feita como rotina de alguns exames.

5. Breton = “Reverchon e Towne”   
Semi-axial de crânio, mais específica para fossa posterior craniana.

6. Budin e Chandler
Axial de coaxa, projeção para o colo do fêmur e articulação coxo-femural.

7. Caldwell “fronto-naso para seios da face”   
Fronto-naso para face e seios da face, correspondendo a PA de crânio; demonstra condições inflamatórias (sinusite, ostiomielite secundária) e pólipos sinusais.

8. Caldwell “fronto-naso para ossos da face” 
Fronto-naso para ossos da face, incidência em PA axial; demonstrando fraturas e processos neoplásicos/inflamatórios dos ossos da face.

9. Caldwell “PA axial de rotina de crânio”        
PA axial de rotina de crânio com RC 15° ou de 25° a 30°; mostra fraturas craniais (deslocamento lateral e medial), processos neoplásicos, doença de Paget.

10. ***Camp Conventry “tunnel view”       
Incidência para joelho – fossa intercondiliana em decúbito ventral (flexão de 40° a 50°).

11. Cleaves “unilateral”
AP unilateral do quadril mostrando fêmur proximal e quadril.

12. Cleaves = “perna de rã, frog, Loweninstein”
Incidência para pelve em AP bilateral, com fêmures abduzidos de 40° a 45°.

13. Clements-Nakayama
Incidência axiolateral modificada para fêmur axial e quadril para possível trauma.

14. Chassard-Lapné
Radiografia da região de retosigmóide, feita com o paciente sentado na ponta da mesa em posição quase fetal, RC incidindo em PA.

15. Chaussé I
Obliqua de crânio.

16. Chaussé II
Obliqua de crânio, para o estudo do buraco rasgado posterior.

17. Chaussé III
Obliqua de crânio, para o estudo do osso temporal.

18. Coyle
Incidência para região cubital.

19. Danelius-Miller
Incidência axiolateral e ínfero-superior: fêmur proximal e quadril – traumatismo.

20. Faril “Técnica de Faril”
O mesmo que ESCANOMETRIA, para mensuração dos membros.

21. Fergusson
AP de sacro, articulações sacro-ilíacas e articulação de L5-S1.

22. Fisk    
Incidência para ombro: tangencial – sulco intertubercular (bicipital); “executando-se traumatismo”.

23. Fleischner
É o mesmo que a incidência ápico-lordótica.

24. Fowler        
É uma posição de decúbito em que o corpo é inclinado de forma que a cabeça esteja em um nível superior aos pés. “oposto de Trendelenburg”

25. Frog = “perna de rã, Lowenstein, Cleaves bilateral.”
AP de articulação coxo-femural com fêmures em obliqua quase em perfil.

26. **Fuch
AP de coluna cervical mais direcionado para C1 e C2 verificando processo odontóide.

27. Gayner-Hart “Túnel do carpo”
Incidência tangencial axial de punho, ínfero-superior do punho em 90° para canal carpiano.

28. “Ponte do carpo”
Incidência tangencial com dorso do punho na mesa fazendo ângulo de 90°.

29. Garth 
Ombro (traumatismo): incidência axial obliqua apical em AP.

30. Grashey     
Para ombro, “cavidade glenóide”: posição obliqua posterior (executando-se traumatismo).

31. Guillen        
É uma obliqua de crânio para o estudo do buraco ótico.

32. Haas
Incidência PA axial: Rotina para crânio.

33. Hirtz (submentovértice “S.M.V.”)
É uma axial de face, e de acordo com a penetração do raio central, pode ter indicação no estudo da base do crânio, osso temporal e buraco rasgado posterior.

34. Hjem-Laurell
PA de tórax com o paciente no decúbito lateral contrário ao da suspeita do derrame pleural.

35. ***Holmblad “Tunnel View”
Incidência para joelho – fossa intercondiliana; com joelhos sobre o chassi em flexão de 60° a 70° e mãos sobre a mesa.

36. *Hughston 
Flexão de joelho a 55° decúbito ventral.

37. Jones
Incidência de flexão aguda de cotovelo em AP.

38. **Judd
PA de coluna cervical mais direcionado para C1 e C2 verificando processo odontóide.

39. Judet
Incidência posterior decúbito de pelve-acetábulo.
40. Knutson “teste de Knutosn”      
Técnica em que o paciente faz uma hiperflexão e uma hiperextensão do tronco; corresponde a um AP de coluna tóraco-lombar para escoliose.

41. Law “ATM”
Incidência para ATM; axial lateral obliqua.

42. Law “mastóides”
Incidência para mastóides; obliqua axial lateral.

43. ****Lawrence “decubito dorsal”
Exame do ombro, incidência axial ínfero-superior em decúbito dorsal (executando-se traumatismo).

44. Lowenstein “frog, perna de rã, Cleaves bilateral”
AP de articulação coxo-femural com os fêmures em obliqua quase em perfil.

45. Lysholm
Obliqua de crânio para o estudo do buraco ótico.

46. Mayer “modificação de Owen”
Obliqua de crânio para o estudo do osso temporal.

47. Merchant
Incidência para patela tangencial bilateral (axial ou nascente) com joelhos fletidos a 40°.

48. Muller “manobra de Muller”
É uma apnéia respiratória, forçando a expulsão do ar com a glote fechada.

49. Neer Ombro (traumatismo):
Incidência tangencial – saída supra-espinhal.

50. Ottonello “autotomografia 1”
Incidência para coluna cervical, AP em mastigação “ou mandíbula oscilante” criando efeito flouscinético desaparecendo com a mandíbula para visualizar todas as vértebras cervicais inclusive C1 e C2.

51. “autotomografia 2”
Diferente da autotomografia I a autotomografia II movimenta a cabeça para os lados ao invés da mandíbula. Tem a mesma finalidade de observar todas as vértebras cervicais, porém, como a C1 acompanhará o movimento da cabeça, a Atlas também desaparecerá da radiografia.

52. Owen
Obliqua de crânio para o estudo do osso temporal.

53. Pfeiffer        
Obliqua de crânio para o estudo do buraco ótico.

54. Pierquiu
Projeção axial do cotovelo.

55. Porcher      
Corresponde a um semi-hirtz. Projeção para o buraco rasgado posterior. O mesmo que Porot ou Rossand.

56. Porot
Corresponde a um semi-hirtz. Projeção para o buraco rasgado posterior. O mesmo que Porcher ou Rossand.

57. Reverchon = “Breton e Towne”
Semi-axial de crânio, mais específica para fossa posterior do crânio.

58. Rheese
Incidência parieto-orbital “obliqua de crânio”, para estudo dos forames ópticos.

59. Robert
AP modificado de polegar.

60. Rossand
Corresponde a um semi-hirtz. Projeção para o buraco rasgado posterior. O mesmo que Porcher e Porot.

61. Schuller
Perfil de crânio, para estudo da articulação temporo-mandibular e mastóide do temporal.

62. *Settegast
Flexão de joelho a 90° decúbito ventral.

63. Sims “posição de Sims”
Serve para evitar uma contratura anal plena, usada para aplicação de cateter retal, usado em exames de ENEMA BARITADO “CLISTER OPACO”. 

64. Solidônio Lacerda      
É uma obliqua de face para estudo do osso malar. "Muito pedido em casos de luta".

65. Stecher       
Obliqua de punho, para estudo do osso escafóide.
66. Stenvers     
É uma obliqua de crânio para o estudo do osso temporal.

67. Taylor
Exame de pelve, incidência de “saída” em AP axial (para ossos pélvicos anteriores / inferiores).

68. Thoms        
É uma axial de pelve feminina, para o estudo da posição fetal.

69. Towne = “Reverchon ou Breton”
É uma semi-axial de crânio, mais especifica para fossa posterior craniana.

70. Towne “para fraturas cranianas”
Incidência AP axial de rotina de crânio para visualizar fratura cranianas (deslocamento medial e lateral), processos neoplásicos e doença de Paget. Paciente em decúbito dorsal, raio central a 30° para LOM ou 37 para LIOM.

71. Towne “para sela turca”    
Incidência AP axial para sela turca; demonstra adenomas hipofisários podem afetar a morfologia da sela turca. Raio central a 30° até 37° caudal, LIOM perpendicular.

72. Towne “para arcos zigomaticos”       
Incidência em AP axial para arcos zigomaticos. Demonstra fraturas e processos neoplásicos/inflamatórios do arco zigomático. Raio central 30° com a LOM (37° com a LIOM).

73. Towne “para AP axial de mandíbula”
Incidência AP axial para mandíbula; demonstra fraturas e processos neoplásicos/inflamatórios dos processos condilóides da mandíbula. Raio central de 35° a 40° com a LIOM.

74. Towne “para AP axial de ATM”  
Incidência AP axial para ATM. Demonstra fraturas e relação/amplitude de movimento alterada entre o côndilo e a fossa TM. Raio central a 35° com a LOM (posição com a boca fechada).

75. Towne “para AP axial de mastóides”
Incidência em AP axial para mastóides com paciente em decúbito dorsal. Demonstra patologias avançadas do osso temporal (por exemplo, volumoso neuroma auditivo). Raio central a 30° a LOM ou 37° à LIOM.

76. Twining “posicionamento do nadador”      
É um perfil de coluna cervico-torácica e também utilizada na mielografia cervical e cervico-torácica.

77. Trendelenburg   
É uma posição de decúbito em que o corpo é inclinado de forma que a cabeça esteja em um nível mais baixo que os pés. “oposto de Fowler”

78. Valsava “manobra de Valsava”  
É uma apnéia respiratória forçando expulsão do ar com a glote fechada.

79. Van Rosen 
Corresponde a um AP para articulação coxo-femural com fêmures quase em perfil.

80. Waters “para fraturas de explosão”   
Incidência parieto-acantial para ossos da face, LMM perpendicular (LOM 37°). São mostradas fraturas (particularmente fraturas por explosão, trípode e leforte) e processos neoplásicos/inflamatórios são mostrados. Corpos estranhos no olho também podem ser mostradas nessa imagem.

81. Waters “para fraturas orbitárias”        
Incidência parieto-acantial modificada para ossos da face, LMM perpendicular (LOM 55°). São mostradas fraturas orbitárias (por exemplo, por explosão) e processos neoplásicos/inflamatórios são mostrados. Corpos estranhos no olho também podem ser visualizados nesta posição.

82. Waters “para condições inflamatórias”
Incidência em PA para seios da face. demonstra condições inflamatórias (sinusite, ostiomielite secundária) e pólipos sinusais. Raio central horizontal, LOM a 15° em relação ao raio central.

83. Waters “com boca aberta”
Incidência parietoacantial transoral para seios da face “boca aberta”. Demonstra condições inflamatórias (sinusite, ostiomielite secundária) e pólipos dos seios.

84. ****West Point “decúbito ventral”        
Exame de ombro em incidência ínfero-superior em decúbito ventral (executando-se traumatismo).

Bibliografias consultadas “autores”:
Kenneth L. Bontrager  5ª edição
Luiz Fernando Boisson
Jorge Nascimento