segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Irradiação de Alimentos

Os alimentos irradiados são aqueles que foram deliberadamente tratados com determinados tipos de energia radioativa, para se obterem algumas propriedades convenientes (por exemplo, para inibir a germinação ou para destruir as bactérias que contaminam os alimentos).

Além dos produtos alimentícios, muitos outros matérias são irradiados em escala comercial durante seu processo de produção entre eles cosméticos, artigos para hospitais, produto médicos e rolhas para garrafas de vinho.

Os alimentos radioativos, por outro lado, são aquele que foram acidentalmente contaminados por substâncias radioativas, procedentes de testes com armas atômicas ou acidentes com reatores nucleares, este tipo de contaminação não tem nada a ver com alimentos irradiados, que foram tratados para conservação ou para outros fins.

Equipamentos Utilizados para Irradiação de Alimentos

Atualmente, os equipamentos mais utilizados são os irradiadores de cobalto 60. Esses equipamentos consistem numa fonte de cobalto 60 instalada num “bunker”, ou seja, uma câmara de irradiação cujas paredes são blindagens de concreto. Essa fonte, quando não está em operação, fica armazenada numa piscina (poço) com água tratada, revestida por um “liner” (revestimento) de aço inox, no interior da blindagem.

Os alimentos a serem irradiados são colocados em “containers” e através de um monotrilho são conduzidos para o interior da câmara de irradiação gama. Operadores qualificados controlam e monitoram eletronicamente a fonte de radiação e o tratamento dos produtos, através de um controle situado fora da câmara de irradiação.

Para conduzir as operações, necessita-se de um operador (nível médio), carregadores (nível básico), um segurança (nível básico), e dois supervisores de proteção radiológica (nível superior e qualificado pela CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear). Todos os trabalhadores devem ser treinados.

O irradiador de grande porte é um equipamento empregado na esterilizados, com o intuito de conservar e, conseqüentemente, aumentar a vida útil do produto.

A Necessidade de Preserva Nossos Alimentos

Desde os primeiros tempos, as pessoas procuram cuidar melhor de seus alimentos utilizando variados métodos de preservação, de modo a controlar a sua deterioração, a transmissão de doenças e a infestação de insetos.

Através dos séculos, as técnicas de preservação de alimentos foram se desenvolvendo com o aumento do conhecimento científico. Os métodos atuais incluem o congelamento, a secagem, o enlatamento, a preparação de conservas, a pasteurização, a fermentação, o resfriamento, o armazenamento em atmosfera controlada, a fumigação química e a aplicação de aditivos preservantes. Hoje em dia a irradiação promete melhorar nossa habilidade de conservar os alimentos e, ao mesmo tempo, reduzir a incidência de algumas doenças próprias dos mesmos.

Doenças Transmitidas por Alimentos Constitui 
um Problema Mundial De Saúde.

Segundo o Comitê Misto De Especialistas em Segurança Alimentar da Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e da Organização Mundial de Saúde (FAO/WHO), as doenças oriundas de alimentos contaminados são “talvez o maior problema de saúde do mundo contemporâneo e constituem um Importante fator de redução da atividade econômica”.

Nos Estados Unidos, o Centro para controle de Doenças e a Administração de Drogas e Alimentos estimam que anualmente, mais de 33 milhões de americanos adoecem, por contaminação microbiana. Estima-se que ocorram anualmente no Canadá, mais de dois milhões de casos.

Além da preocupação com a contaminação microbiana, também aumentam as exigências mundiais de qualidade dos alimentos. Assim, os problemas com armazenamento, transporte e processamento de alimentos exigem a busca de métodos alternativos de preservação. A FAO estima que de um quarto a um terço da produção mundial de alimentos e perdida devido a pragas, insetos, bactérias, fungos e enzimas que comem, estragam ou destroem as colheitas. E incalculável a magnitude da perda econômica associada a doenças originárias de alimentos e á rejeição de alimentos contaminados por parasitas e microorganismos patogênicos.

Métodos novos e eletivos são necessários para aumentar a oferta de alimentos sadios e seguros, para uma população mundial em expansão.

A irradiação de vários alimentos, particularmente frango, mariscos e carne de porco em contaminação com os métodos mais limpos de processamento de alimentos poderá reduzir, significativamente, a incidência de doenças causadas por microorganismos.

Como Funciona A Irradiação De Alimentos

Irradiação de alimentos é um processo físico de tratamento comparável á pasteurização térmica, ao congelamento ou enlatamento. Este processo envolve a exposição do alimento, embalado ou não, a um dos três tipos de energia ionizante: raios gama, raios X ou feixe de elétrons.

Isto é feito em uma sala ou câmara especial de processamento por um tempo determinado. A finte mais comum de raios gama, para processamento de alimentos, e o radioisótopo Cobalto 60. O alimento é tratado por raios gama, originados do Cobalto 60 em uma instalação conhecida como irradiador.

A energia gama é radiação eletromagnética de comprimento de onda muito curto, semelhante á ultravioleta, luz visível, infravermelho, microondas ou ondas de rádio usadas na comunicação. Nós usamos estas formas de energia em um grande leque de propósitos, por exemplo, para cozinhar alimentos em aparelhos de microondas.

A irradiação de alimentos emprega uma forma particular de energia eletromagnética conhecida por “radiação ionizante”. Este termo é usado porque essa radiação produz partículas carregadas eletricamente, chamadas “Ions”, em qualquer material com o qual entrem em contato.

Em circunstâncias particulares, a radiação ionizante é uma técnica de processamento de alimentos muito efetiva e útil.

A energia gama do Cobalto 60 pode penetrar no alimento causando pequenas e inofensivas mudanças moleculares que também ocorrem no ato de cozinhar, enlatar ou congelar. De fato, a energia simplesmente passa através do alimento que está sendo tratado e, diferentemente dos tratamentos químicos, não deixa que resíduos. A irradiação é chamada de “processo frio” porque a variação de temperatura dos alimentos processados é insignificante. Os produtos que foram irradiados podem ser transportados, armazenados ou consumidos imediatamente após o tratamento.

A irradiação funciona pela interrupção dos processos orgânicos que levam o alimento ao apodrecimento. Raios gama, raio X ou elétrons são absorvidos pela água ou outras moléculas constituintes dos alimentos, com as quais entram em contato. No processo, são rompidas células microbianas, tais como bactérias, leveduras e fungos. Além disso, parasitas, insetos e seus ovos e larvas são mortos ou se tornam estéreis.

Os Benefícios

A irradiação não é um “milagre” técnico capaz de resolver todos os problemas de preservação de alimentos. Ela não pode transformar alimento deteriorado em alimento de alta qualidade. Como também não é adequada para todos os tipos de alimentos, mas pode resolver problemas específicos importantes e complementar outras tecnologias.

Ela representa uma grande promessa no controle de doenças originárias de alimentos, tais como a salmonelose, que é um problema mundial. Também é efetiva na desinfestação, particularmente em climas quentes, em que os insetos consomem uma grande porcentagem da safra colhida.

A irradiação de alimentos pode aumentar o tempo de prateleira estocagem de alternativa ao uso de fumigantes e substâncias químicas, muitas das quais deixam resíduos.

Em muitos casos, alimentos irradiados em sua temperatura de armazenamento ideal e em embalagens a vácuo durarão mais e manterão por mais tempo sua textura original, sabor e valor nutritivo se comparadas com aqueles termicamente pasteurizados, esterilizados ou enlatados.

A Segurança Dos Alimentos Irradiados

A irradiação de alimentos tem sido objeto de pesquisas intensas por mais de quarenta anos. Organizações internacionais tais como FAO e a WHO revisaram estas pesquisas e concluíram que a irradiação de alimentos é segura e benéfica.

Similarmente, o valor nutricional de alimentos irradiados foi comparado com o de alimentos tratados por outros métodos, com resultados favoráveis.

Em 1983, a Comissão do Codex Alimentarius, um grupo das Nações Unidas que desenvolve normas internacionais para alimentos, concluiu que alimentos irradiados abaixo de 10 kGy não apresentam risco toxicológico.

Atualmente, níveis de tratamento dentro desta faixa, estão sendo mundialmente realizados.

Nem a energia gama, nem os níveis internacionais estabelecidos para aceleradores de elétrons podem fazer com que o alimento se torne radioativo, o processamento por radiação não torna o alimento radioativo da mesma forma que os raios X usados para a segurança em aeroportos não tornam as bagagens radioativas.

Níveis de Tratamento e Seus Efeitos

A irradiação de alimentos pode produzir uma variedade de resultados, dependendo do tipo do alimento e da quantidade de energia ionizante absorvida pelo mesmo. Esta energia é usualmente medida por uma unidade conhecida como Gy ou “o rad.”, sendo que 1 Gy = 100 rads.

kGy(quilogray) quando um quilograma de matéria absorve a energia de 1 Joule, diz-se que ela recebeu a dose de um Gray.


Alimentos irradiados já foram aprovados em dezenas de países ao redor do mundo. Alimentos são normalmente aprovados para irradiação em bases individuais. Por exemplo, nos EUA uma aprovação para se irradiar um alimento é concedida pela administração de Drogas (FDA), depois do exame de uma petição pode ser submetida por um indivíduo, uma empresa privada, uma instituição educacional ou qualquer outra entidade. Outros países tem procedimentos similares.

Alimentos irradiados para o consumo em mercearias devem ser rotulados com o símbolo internacional denominado “Radura”, mostrado na primeira edição do jornal. O símbolo deve ser acompanhado pelas palavras “tratado por irradiação” ou “tratado com radiação”. Esta rotulagem é exigida por lei, para informar aos consumidores que eles estão comprando um alimento que foi processado. Este aviso é necessário porque a radiação não deixa nenhum vestígio indicando que o alimento foi irradiado seja pela aparência, cheiro ou toque. Isto contrasta com outras técnicas de processamento, tais como cozinhar, enlatar ou congelar, processos em que se percebe o tratamento. Os alimentos irradiados. Cozidos em estabelecimentos tais como restaurantes não necessitam de nenhum rótulo ou declaração no cardápio, pois o alimento oferecido, obviamente terá sido processado. A rotulagem, também não se faz necessária no caso de ingredientes irradiados que entram em um composto alimentar em pequena proporção. Como exemplo disso pode-se citar um ingrediente seco ou tempero que foi processado por irradiação, e depois adicionado em pequena proporção em um produto alimentício.
Radura
Comercialização e Atitudes do Consumidor

A tecnologia de irradiação de alimentos recebeu, durante os anos noventa, um grande interesse do público, da imprensa e da indústria alimentícia. Isto se deve, principalmente, á instalação na Flórida, do primeiro irradiador Norte Americano totalmente dedicado á irradiação de alimentos, ao marketing inicial de alimentos tratados naquela instalação e a aprovação governamental da irradiação de carne de frango.

Estudos relacionados com o consumo, em base nacional, indicam que 45% a 55% dos consumidores desejariam comprar carne vermelha ou de frango irradiadas e, por isto, com índice reduzido de bactérias. O endosso do processo por entidades como Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a Associação Médica Americana (AMA), deram ao processo uma grande credibilidade junto aos consumidores. Testes de mercado em mercearias e demonstrações confirmaram o nível de aceitação do consumidor.

Produtos irradiados da Flórida estão á disposição dos consumidores em certos mercados dos Estados Unidos, desde 1992. Estes produtos são irradiados para a extensão do seu tempo de prateleira, e têm sido bem recebidos pelos consumidores. Morangos e cogumelos irradiados muitas vezes superaram, em volume de venda, os produtos não irradiados na proporção de 10 para 1 ou até mais. Em 1995, mamões importados do Havaí para serem desinfetados nos EUA foram vendidos para consumidores do meio oeste americano.

Carne de frango tem sido irradiada para controlar a Salmonela e colocada á disposição de mercados, limitados dos EUA desde 1993. Mais recentemente, o mercado de alimentos tem utilizado frango irradiado em quantidades crescentes. Estabelecimentos tais como hospitais e restaurantes têm utilizado este produto em bases regulares. Usando normalmente em suas cozinhas frango irradiado para redução de bactérias patogênicas, estes estabelecimentos reduzem o risco de contaminação cruzada de outros alimentos, durante a sua preparação. 

Exemplos de Alimentos Irradiados e não Irradiados

Diferença entre grãos de milhos irradiados e não irradiados depois de 5 anos.
Diferença entre grãos de feijão irradiados e não irradiados depois de 5 anos.
Saiba mais sobre a Irradiação de Alimentos

A irradiação de alimentos é um processo físico de tratamento de alimentos, comparável a pasteurização térmica, ao congelamento ou ao enlatamento. O processo em pauta envolve a exposição do alimento, embalado ou não, a uma quantidade controlada de radiação ionizante.

Considera-se a irradiação como a melhor tecnologia disponível para eliminação de bactérias nocivas presentes nos alimentos. Segundo estatísticas americanas, 85% das bactérias patogênicas contaminantes de alimentos encontram-se em vegetais crus, frutas frescas, frutos do mar, produtos de carne moída e ovos. A irradiação aumenta a qualidade e a segurança dos alimentos, ajudando a proteger os consumidores das bactérias prejudiciais a saúde. A irradiação também pode retardar o amadurecimento ou maturação de certas frutas e legumes, através da alteração dos processos fisiológicos dos tecidos da planta.

Embora tida como uma nova tecnologia por algumas pessoas, as pesquisas sobre irradiação de alimentos remontam o início do século XX. Junto com os métodos tradicionais de processamento e preservação de alimentos, como a refrigeração ou pasteurização, a tecnologia da irradiação de alimentos vem ganhando cada vez mais atenção.

O interesse no processo é crescente, devido as grandes perdas de alimentos por infestação, contaminação e deterioração; ao aumento progressivo das preocupações quanto às doenças originadas pelos alimentos; e ao crescimento de do comércio internacional de alimentos, os quais precisam satisfazer as normas de qualidade e quarentena de importação. Além disso, houve incremento de regulamentos restritivos ou mesmo a proibição total do uso de fumigantes químicos, muito utilizados para controle de insetos e micróbios nos alimentos. Com isso, a irradiação é uma alternativa efetiva para proteger alimentos contra danos causados por insetos, e também como um tratamento de quarentena de produtos frescos.

De acordo com a FAO (Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação), perde-se cerca de 25% da produção da produção mundial de alimentos após colheita, devido à ação de insetos, bactérias e roedores. A irradiação, como técnica de preservação, não resolverá todos os problemas de perdas de alimentos pós-colheita, mas pode ser importante ao reduzir perdas e diminuir a dependência de pesticidas químicos.

Doenças originadas a partir de alimentos representam uma ameaça comum à saúde humana, e são uma importante causa da redução da produtividade econômica, mesmo em países avançados que possuem sistemas modernos de processamento e distribuição de alimentos. doenças causadas por Escherichia coli, devido ao consumo de carne cozida, e doenças causadas por agentes patogênicos, tais como Tênia spp., Salmonella spp., Trichinella spiralis, Vibrio spp, Campylobacter jejuni e listeria monocytogenes, são problemas sérios em paises em desenvolvimento e, junto com outras doenças bacterianas originadas nos alimentos, causam milhões de casos por ano.

O tipo de radiação utilizada limita-se aos raios gama de alta energia, raios-X e elétrons acelerados. Para irradiação de alimentos, o radionuclídeo mais usado é o cobalto-60, produzido pelo bombardeamento com nêutrons do metal cobalto-59, em um reator nuclear. Os feixes de elétrons de alta energia são produzidos por maquinas capazes de acelerar elétrons até próximo da velocidade da luz, por meio de um acelerador linear. Os alimentos a serem irradiados são colocados em contêineres e, através de uma esteira, são conduzidos para o interior da câmara de irradiação, onde recebem a dose programada de radiação. Operadores qualificados controlam e monitoram eletronicamente a fonte de radiação e o tratamento dos produtos, através de um console situado fora da câmara de irradiação.

Para produzir as operações, necessita-se de operadores (nível médio), carregadores (nível básico), seguranças (nível básico) e dois supervisores de radioproteção (nível superior, certificados pela CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear). Todos os trabalhadores devem ser adequadamente treinados.

O processo de irradiação consiste na passagem do alimento através do campo de radiação, a uma velocidade prefixada para controlar a quantidade dessa energia, ou dose absorvida pelo alimento, o qual nunca entra em contato direto com a fonte de radiação. Portanto, o processo de irradiação não torna o alimento radioativo, nem tampouco o torna nocivo à saúde.

A irradiação também não afeta negativamente o valor nutricional do alimento. Como a irradiação é um “processo a frio”, isto é, não aumenta substancialmente a temperatura do alimento processado, as perdas de nutrientes são desprezíveis, significativamente menores do que as perdas associadas a outros métodos de preservação, tais como enlatamento, secagem e pasteurização a quente.

No Brasil, a ANVISA regulamentou a rotulagem dos alimentos irradiados. Além dos dizeres normalmente exigidos para os alimentos em geral, deve constar a expressão “ALIMENTO TRATADO POR PROCESSO DE IRRADIAÇÃO”. O logotipo internacional utilizado é conhecido como símbolo de RADURA.
Vantagens das Irradiações de Alimentos
A irradiação de alimentos possui uma série de vantagens sobre os métodos tradicionais, tais como:
Os fatores que influenciam o uso crescente da irradiação de alimentos são o esclarecimento e a aceitação publica do processo. contrariamente às estimativas antecipadas, tem sido demonstrado que, quando alimentos irradiados estão disponíveis no mercado, os consumidores os compram satisfeitos com a qualidade e a segurança do produto. Irradiação de alimentos é garantia de um abastecimento mais seguro.

Ficam aqui as seguintes indagações para reflexão:

“A irradiação interrompe os processos orgânicos de apodrecimento dos alimentos. Feijão, arroz e farinha poderiam ser assim armazenados por pelo menos quatro anos. Seria a irradiação de alimentos o processo que ajudaria o País no combate à fome, ao reduzir substancialmente a perda de alimentos, além de coibir a elevação dos preços na entressafra? Além de preocupações com a contaminação microbiana, aumentam também as exigências mundiais quanto à qualidade dos alimentos. O comércio de produtos alimentícios é um dos principais itens do comércio exterior, e os mercados seguem crescendo. Seria o processo de irradiação de alimentos o que ajudaria o Brasil a tornar-se uma das maiores potencias econômicas mundiais?”.

Matéria da Revista do CONTER “Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia” sobre Irradiação de alimentos. Ano 3 nº 7 abr/mai/jun 2004

sexta-feira, 17 de junho de 2016

CONTER regulamenta o setor Industrial para Técnicos e Tecnólogos em Radiologia

No uso de suas atribuições legais, o Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (CONTER) aprovou nova resolução, que atualiza a normatização das atividades profissionais dos técnicos e tecnólogos em Radiologia no setor Industrial.

Leia a Resolução CONTER n.º 07/2016: 
http://goo.gl/PwDc8V

Veja a publicação da norma no Diário Oficial: 
http://goo.gl/N8cKn2

Segundo a presidente do CONTER Valdelice Teodoro, a norma abrange tópicos atuais sobre o exercício da profissão na área industrial e deixa claro quais são os requisitos mínimos necessários para a habilitação legal dos profissionais das técnicas radiológicas neste segmento de mercado.

“Nossa resolução passou por consulta pública e está completamente de acordo com a legislação em vigor. Estabelecemos regras claras para a habilitação e o exercício profissional dos Técnicos e Tecnólogos em Radiologia no setor Industrial. Também estabelecemos prazos para a formação e habilitação de quem hoje já trabalha e quer se regularizar. Com isso, demos um grande passo para profissionalizar ainda mais o mercado de trabalho”, assegura Valdelice.

⚡ DESTAQUES
Em seu artigo primeiro, a resolução institui e normatiza as atribuições, competências e funções dos técnicos e tecnólogos em Radiologia no setor Industrial, nas seguintes especialidades:

I – Radiografia Industrial;
II – Irradiação Industrial;
III – Radioinspeção de segurança;
IV – Perfilagem de poços;
V – Medidores nucleares.

Os requisitos para habilitação dos profissionais das técnicas radiológicas de nível médio no setor Industrial são:

I – Ser maior de 18 anos de idade;
II – Possuir certificado de conclusão do ensino técnico em Radiologia expedido por instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC);
III – Estar devidamente inscrito no Conselho Regional de Técnicos em Radiologia (CRTR) de sua jurisdição;
IV – Ter condições físicas e psicológicas para executar trabalhos de campo;
V – Passar por curso de formação em Radiologia Industrial, com carga horária mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas, incluída a carga horária mínima de 80 horas para as disciplinas relativas à proteção radiológica;

Parágrafo único - A ementa básica do curso fica com a seguinte composição:

a) Tópicos avançados sobre a operação dos diferentes tipos de equipamentos emissores de radiação ionizante que são usados para inspeção, segurança e irradiação no setor Industrial;
b) Proteção radiológica, plano de emergência e prevenção de acidentes;
c) Introdução ao programa ALARA;
d) Ética, legislação e normas técnicas;
e) Ensaios não-destrutivos (ENDs);
f) Procedimentos técnicos em radiografia industrial;
g) Diferentes tipos de fontes radioativas;
h) Tipos de materiais, soldas, fundição, forjados e arranjos produtivos.

VI – Para exercer a funções de Operador de Radiografia Industrial I e II, os profissionais de nível médio devem comprovar, por meio de formulário assinado pelo SPR e histórico de dose individual, a experiência na especialidade pretendida prevista nos Artigos 3º e 4º da Resolução CNEN n.º 144/2013 ou norma que a substitua. O exercício das atividades profissionais fica condicionado ao atendimento dos requisitos de cada especialidade.

São atribuições e competências dos profissionais das técnicas radiológicas de nível médio, com habilitação no setor Industrial:

I – Exercer as funções de Operador de Radiografia Industrial I e II, nos termos das normas CNEN NN 3.01, CNEN NE 3.02 e CNEN NN 7.02 e respectivas posições regulatórias;
II – Operar irradiadores de gamagrafia, aparelhos de raios X industriais e demais equipamentos emissores de radiação ionizante no setor Industrial;
III – Delimitar e sinalizar áreas supervisionadas e controladas;
IV – Verificar as condições de funcionamento dos equipamentos emissores de radiação;
V – Após 600 horas de experiência profissional, auxiliar no treinamento dos Técnicos em Radiologia recém-formados na área Industrial;
VI – Cumprir os requisitos do Plano de Proteção Radiológica (PPR) da instalação;
VII – Ser responsável pela segurança e proteção física das fontes de radiação no setor Industrial;
VIII – Verificar a validade dos certificados de calibração dos medidores de radiação e monitores de radiação e de vistoria dos equipamentos emissores de radiação;
IX – Certificar-se dos procedimentos operacionais com relação ao controle de fontes radioativas durante a sua operação, transporte e armazenamento;
X – Verificar documentação e registros disponíveis na instalação de operação, conforme descrito no Plano de Proteção Radiológica (PPR);
XI – Realizar as monitorações estabelecidas no Plano de Proteção Radiológica (PPR), o armazenamento das fontes radioativas e manter os registros correspondentes nas instalações de operação;
XII – Ser responsável pelas chaves do local de armazenamento de fontes radioativas, quando houver;
XIII - Comunicar imediatamente ao Supervisor de Proteção Radiológica (SPR) toda e qualquer anormalidade ou condição de perigo que for observada nos dispositivos e instalações radiológicas;
XIV - Assumir o controle e aplicar as ações previstas nos procedimentos de emergência.

Os requisitos para habilitação dos profissionais das técnicas radiológicas de nível superior no setor Industrial são:

I – Ser maior de 18 anos de idade;
II – Possuir certificado de conclusão de curso de graduação em Radiologia expedido por instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC);
III – Estar devidamente inscrito no Conselho Regional de Técnicos em Radiologia (CRTR) da sua jurisdição;
IV – Ter condições físicas e psicológicas para executar trabalhos de supervisão de campo;
V – Passar por curso de formação em Radiologia Industrial, com carga horária mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas, incluída a carga horária mínima de 80 horas para as disciplinas relativas à proteção radiológica;

Parágrafo único - A ementa básica do curso fica com a seguinte composição:

a) Tópicos avançados sobre a operação dos diferentes tipos de equipamentos emissores de radiação ionizante que são usados para inspeção, segurança e irradiação no setor Industrial;
b) Proteção radiológica, plano de emergência e prevenção de acidentes;
c) Introdução ao programa ALARA;
d) Ética, legislação e normas técnicas;
e) Ensaios não-destrutivos (ENDs);
f) Procedimentos técnicos em radiografia industrial;
g) Diferentes tipos de fontes radioativas;
h) Tipos de materiais, soldas, fundição, forjados e arranjos produtivos.

V – Comprovar experiência operacional mínima de 300 horas no setor Industrial, dentro da especialidade pretendida para habilitação;

Parágrafo Único – A comprovação deve ser feita mediante histórico individual de doses e declaração do SPR responsável pela instalação onde foi feito o treinamento ou estágio.

Competem aos profissionais das técnicas radiológicas de nível superior com habilitação no setor Industrial, além das prerrogativas previstas no Artigo 2º, as demais atribuições e competências:

I – Exercer a função de Supervisor de Proteção Radiológica Classes I e II, nos termos da norma CNEN NN 7.01;
II - Treinar, orientar e avaliar o desempenho dos profissionais de nível técnico sob sua supervisão;
III - Auxiliar na seleção e escalação das equipes de trabalho;
IV - Manter atualizado, aplicar e verificar cotidianamente o Plano de Proteção
Radiológica (PPR) da instalação, bem como dos procedimentos para o uso, manuseio, acondicionamento, transporte e armazenamento de fontes radioativas;
V – Manter sob controle, em conformidade com as Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica instituídas pela norma CNEN NN 3.01 ou posterior, que a substitua, e com o Plano de Proteção Radiológica (PPR) do serviço, as fontes de radiação, os rejeitos radioativos, as condições de proteção radiológica dos indivíduos, as áreas controladas e os equipamentos de monitoração da radiação;
VI – Avaliar as exposições nos locais sujeitos a radiações, comparando condições normais e situações de emergência, e adotar as medidas de proteção necessárias;
VII – Supervisionar o recebimento e envio dos medidores individuais para troca, junto aos laboratórios de monitoração individual;
VIII – Verificar a disponibilidade, para uso imediato e em quantidades suficientes, de todo o material auxiliar para proteção radiológica, incluindo aqueles a serem utilizados em situação de emergência;
IX – Comunicar, oficial e imediatamente, ao titular da instalação, a ocorrência de irregularidades inerentes às fontes de radiação e as ações necessárias para garantir a proteção radiológica da instalação radiológica e das pessoas;
X – Atuar, investigar e implementar, quando necessário, ações corretivas e preventivas aplicáveis em situações de emergência, de acordo com o previsto no Plano de Proteção Radiológica (PPR).
XI – Supervisionar e coordenar as ações de proteção radiológica nos depósitos iniciais de rejeitos da instalação, quando houver;
XII – Examinar e acompanhar a execução dos projetos de construção e alteração de instalações radiológicas industriais;
XIII – Garantir que as instalações atendam às condições de operação e armazenamento.

 O FUTURO
Os trabalhadores que, na data da publicação da resolução, operavam equipamentos emissores de radiação ionizante no setor Industrial sem cumprir os requisitos mínimos necessários ao desempenho das funções, terão prazo máximo de 2 (dois) anos para obter qualificação e comprovar habilitação legal junto ao respectivo conselho regional, nos termos da legislação específica.

Atualmente, a Coordenação Nacional de Educação (Conae) do CONTER trabalha em parceria com a Associação Brasileira de Ensaios Não-destrutivos (Abende) na formulação de uma matriz curricular para o Técnico em Radiologia Industrial. Esse profissional terá mais ênfase em assuntos ligados à área de salvaguardas, inspeção e segurança do que em matérias ligadas ao radiodiagnóstico de saúde, por razões elementares.

“Com a nova resolução, atendemos a necessidade de atualizar a normatização da área para a nossa categoria. Agora, temos que resolver um problema: O técnico em Radiologia é formado quase que exclusivamente para a área médica e nós temos que formar e habilitar profissionais para atender a demanda de outros setores também. Esse processo já começou”, finaliza a presidente do CONTER Valdelice Teodoro.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Gerra entre Faculdades

Em 2005, meu primeiro ano de faculdade, recebi um e-mail que era um print de um fórum de internet. Como estava em uma faculdade particular, com professores da rede publica e particular, resolvi mostra-lo a uma grande professora e que na rede publica era também diretora... A pedido da mesma protegerei seu nome, mas trata-se de uma provocação entre alunos de universidade particular e pública... Bom, A tal professora e Diretora fechou essa discussão, e hoje, revendo beckups dos meus antigos computadores, encontrei isso e resolvi postar tornando publico. 

Não é nada de importante, mas fica aí para reflexão, ou mesmo, divertimento... Vamos lá!

A PROVOCAÇÃO:
Estudar na PUC:............... R$ 1.200,00
Estudar na VEIGA DE ALMEIDA:...R$ 1.000,00
Estudar na ESPM:.............. R$ 900,00
Estudar na GAMA FILHO:........ R$ 800,00
Estudar na CÂNDIDO MENDES:.... R$ 800,00
Estudar na UNIVERCIDADE:...... R$ 500,00
Estudar na SUAM:.............. R$ 450,00
Estudar na ESTÁCIO:........... R$ 400,00
Estudar na UFRJ, UFF ou UERJ... Não tem preço!! Mas também...

Não tem aula...
Não tem professores...
Não tem giz, carteira, material didático...
Não tem festa boa...
Não tem gente bonita e no verão, não tem férias!!!

Existem coisas que o dinheiro não compra, desorganização, preguiça, etc... para todas as outras, existe o Mastercard.

RESPOSTA DE UM ALUNO DA FEDERAL:

Estudar em uma federal:
Realmente não tem preço!!!
E também...
1. Não tem semi-analfabeto.
2. Não tem reitor mercenário.
3. Não tem (muito) filhinho de papai.
4. Não tem encheção de saco do papai nem da mamãe, eles não pagam sua faculdade então não podem falar nada!
5. Não tem shopping, manicura, salão de beleza . . .
6. Não tem monitor metido a professor.
7. Não fingimos que temos prova, nem fingimos que somos avaliados.
8. Não tem provas com média 5.0 para passar.
9. Nem o esquema "ppp" (papai pagou passou!).
10. Tem ensino de qualidade, pesquisa e extensão (os cursos n! bsp;  particulares sabem o que é isso?)
11. Temos melhores conceitos no provão.

RESPOSTA DE UM ALUNO DA REDE PARTICULAR:

Caro amigo maconheiro, parabéns pelas suas justificativas (ponto para você).
O fato de pagar a faculdade é problema para os quebrados, não para mim! (ponto para mim).
Nas federais tem ensino de qualidade, pesquisa e extensão (ponto pra você).

Na minha faculdade alguns dos melhores professores das federais, todos doutores, foram contratados para ganhar 3 a 4 vezes mais e, por isso ministram as aulas com mais tranqüilidade e empenho, pois não têm que se descabelar com as dívidas e o cheque especial no vermelho!!! (ponto para mim).

Eu estudo numa sala que tem cadeiras acolchoadas, ar condicionado, canhão de luz com telão, retroprojetores, data-show, quadro branco e espaço para todos que, na maioria, usam bom desodorante!!! (ponto pra mim).

Você, provavelmente, senta naquelas cadeiras todas detonadas, quando têm, pichadas com “liquid paper”, que a minha avó usou. Sem contar o quadro de giz e o ventilador, espalhando cal pela sala. (ponto para mim).

E outra coisa: na minha faculdade nós entramos estudantes e saímos como estudantes. Nas federais, na maioria das vezes, entra-se estudante e sai punk, maconheiro, nerd, rasta, canhão, doidão, pé sujo, ou metaleiro. (ponto para mim).

Por falar em sair: Quando é que você vai sair daí???
Tem alguma previsão? Amanhã pode ter mais greve e você vai ficar mais um ano sem férias.
Ah...Férias... Férias... Féééérias!!! Você não tem mais férias?
Bingo!!! Como diz o velho ditado: "O barato sai caro!".

REFORÇANDO A RESPOSTA DO ALUNO DA PARTICULAR... “UMA PROFESSORA”:

1º, Tem muito filhinho de papai sim, ou melhor, só tem filhinho de papai, basta dar uma olhadinha aos estacionamentos ..., além disso só filhinho de papai tem dinheiro para pagar cursinho de pré-vestibular.

2º, Graças a deus tem encheção de saco de papai e mamãe sim! Sabe por que? Por que eles se importam com os seus e, além disso, quem paga quer levar e leva, já quem não paga não leva...

– Não tem shopping, manicura etc. sabe por que? Por que tem camelô nas entradas, nos corredores, nas salas...

– Não tem reitor mercenário, pois o teu e o meu imposto pagam tudo!

– O desavisado não sabe que nas particulares a figura do monitor é inexpressiva, já nas públicas ele serve para substituir os professores faltosos, e que não são poucos... Isso por não haver controle de presença.

– Não precisam fingir que tem prova, pois não tem mesmo, tem seminários..., ou seja:

– Não tem prova com média 5.0 (cinco), mas têm com média 7.0 (sete).

– O desavisado não quer pagar pra ver se passa??? Acho que não!!! E se resolver ao menos olhar mais de perto, simplesmente conversar com alunos de particulares, verá rapidamente que os cursos sempre são cheios nos primeiros períodos e vazios no último, e a grande maioria dos que desistem no primeiro período não é por falta de pagamento, e sim por não conseguir acompanhar! Por tanto, “amigo maconheiro desavisado”, não diga besteiras por aí sem saber como “provas de média 5.0 ou esquema ppp” ok! Abra seu olho, mais ainda não acabei de falar, lá vai.

– Tem ensino de qualidade quando o professor comparece e não está com dor de barriga, resolvendo problemas particulares, passeando em congressos e seminários ou de licença remunerada as custas do imposto que você paga; tem pesquisa e extensão que eu e você bancamos, você ajuda a fazer e só eles recebem os créditos!!!

– Tem mais, aqui qualquer um entra, mas não é qualquer um que sai formado, já nas públicas nem todo mundo entra, mas todos que entram saem, pois precisa dar a vaga para o outro por que não tem muita.

Só mais um detalhe, aqui na rede privada, onde nós professores temos prazer em trabalhar, NÃO TEM COTA!  O nível de formação dos alunos das universidades públicas hoje está sendo tão baixo que eu juro para você, em alguns anos terei vergonha de dizer que sou professora também da rede pública.

Alunos de universidade pública além de tudo, ainda têm o topete de pensar assim como você meu amigo desavisado. Entendeu? Não?! Explico!!

Como eu disse antes, alunos das públicas obviamente tem como pagar cursinhos de pré-vestibular, vem normalmente de escolas caras e se acham o máximo do intelecto por terem passado para uma universidade pública. Daí se acham no direito de serem “marrentos” uns com os outros, com os professores e principalmente com alunos de universidades particulares... Coitadinhos de vocês... Tenho que me preocupar em ter além de vergonha do ensino público, pena, muita pena de vocês!! Não só por essa falta de humildade característica de VERDADEIROS filhinhos de papai, mas também por serem pessoas de “boa formação” mostrando a cada segundo que NÃO APRENDERAM NADA.

Na minha época, meu amigo maconheiro desavisado “se é que me permite o apelido carinhoso!” o ensino de nível fundamental e médio “que na época tinha outro nome até” era de ótima qualidade, hoje, é o que é, o que vocês desavisados não vêem, é que as universidades publicas a passos de elefante, estão seguindo a mesma direção!!!